Notícia

28 de Setembro, 2018

Testemunhar a beleza do matrimônio, pede Papa

Francisco falou aos cerca de 850 participantes de curso sobre matrimônio e família, promovido pela Diocese de Roma

“O matrimônio não é somente um evento social, mas um verdadeiro Sacramento que comporta uma preparação adequada e uma celebração consciente. O vínculo matrimonial requer da parte dos noivos uma escolha consciente, que pondere a vontade de construir juntos algo que jamais deverá ser traído ou abandonado”.

Foi o que disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 27, aos cerca de 850 participantes do curso de formação sobre matrimônio e família, promovido, de 24 a 26 de setembro, pela Diocese de Roma e pelo Tribunal da Rota Romana. Realizado na Basílica de São João de Latrão, o curso reuniu párocos, diáconos permanentes, casais e agentes da pastoral da família.

Família, Igreja doméstica e santuário da vida

Dirigindo-se aos presentes, o Santo Padre ressaltou que o evento lhes permitiu examinar os desafios e projetos pastorais concernentes à família, considerada “Igreja doméstica e santuário da vida”. Francisco disse tratar-se de um campo apostólico amplo, complexo e delicado, ao qual “é necessário dedicar energia e entusiasmo, no intento de promover o Evangelho da família e da vida”.

Tendo evocado a visão ampla e perspicaz de seus predecessores, o Papa disse ter desenvolvido nesta esteira o tema em questão, especialmente na Exortação apostólica Amoris laetitia, colocando no centro a urgência de um caminho sério de preparação para o matrimônio cristão, que não se reduza a poucos encontros.

Referindo-se à experiência pastoral em dioceses do mundo concernente ao acompanhamento dos noivos em vista do matrimônio, ele enfatizou que é importante oferecer-lhes “a possibilidade de participar de seminários e retiros de oração, que envolvam como animadores, além de sacerdotes, também casais de esposos de consolidada experiência familiar e especialistas nas disciplinas psicológicas”.

Catecumenato permanente

Segundo Francisco, muitas vezes, “a raiz última dos problemas, que se apresentam após a celebração do sacramento nupcial, deve se procurar não somente numa imaturidade escondida e remota manifesta inesperadamente, mas, sobretudo, na fraqueza da fé cristã e na falta de acompanhamento eclesial, na solidão em que muitas vezes os recém-casados são deixados após a celebração das núpcias”.

Diante disso, o Papa reiterou a necessidade de um catecumenato permanente para o Sacramento do Matrimônio que diz respeito à sua preparação, celebração e aos primeiros tempos sucessivos. Um caminho, segundo ele, “partilhado entre sacerdotes, agentes pastorais e esposos cristãos”.

“Quanto mais o caminho de preparação for aprofundado e prolongado no tempo, mais os jovens casais aprenderão a corresponder à graça e à força de Deus e desenvolverão também os ‘anticorpos’ para aprofundar os inevitáveis momentos de dificuldades e fadiga da vida conjugal e familiar”, acrescentou.

Preparação para o matrimônio, tempo de graça

De acordo com o Pontífice, o tempo da preparação para o matrimônio é um tempo de graça, em que o casal encontra-se particularmente disponível a ouvir o Evangelho, a acolher Jesus como mestre de vida.

Nesse sentido, notou que a maior eficácia do cuidado pastoral se realiza onde o acompanhamento não cessa com a celebração das núpcias, mas, observou ainda, que prossegue ao menos nos primeiros anos de vida conjugal.

Redescobrir a graça do Sacramento

Francisco dedicou a última parte de seu discurso aos cônjuges que vivem sérios problemas em sua relação e se encontram em crise. “É necessário ajudá-los a reavivar a fé e a redescobrir a graça do Sacramento; e, em certos casos, a ser avaliado com retidão e liberdade interior, oferecer indicações apropriadas para iniciar um processo de nulidade”, disse.

Em seguida, falou sobre aqueles que não consideram sua união um verdadeiro matrimônio sacramental. “Possam encontrar nos bispos, nos sacerdotes e nos agentes pastorais, o auxílio necessário, que se expressa não somente na comunicação de normas jurídicas, mas, em primeiro lugar, numa atitude de escuta e de compreensão”, sugeriu.

Novo processo matrimonial, instrumento válido

A esse propósito, o Papa acrescentou que a normativa sobre o novo processo matrimonial constitui um instrumento válido, que requer ser aplicado concretamente e indistintamente por todos, em todos os níveis eclesiais, porque, sua razão última, precisou Francisco, “é a salus animarum!” (a salvação das almas).

Com satisfação, o Santo Padre disse ter tomado conhecimento que “muitos bispos e vigários judiciais acolheram prontamente e aplicaram o novo processo matrimonial, para o conforto da paz das consciências, sobretudo dos mais pobres e distantes das nossas comunidades eclesiais”.

Testemunhar a beleza do matrimônio

Concluindo seu discurso, o Pontífice fez votos de que “o horizonte da pastoral familiar diocesana seja sempre mais amplo, assumindo o estilo próprio do Evangelho, encontrando e acolhendo também aqueles jovens que escolhem conviver sem se casar. É preciso testemunhar a eles a beleza do matrimônio”.


Fonte: Amex, com Vatican News