Notícia

15 de Julho, 2019

"Ser capazes de sentir compaixão: esta é a chave", diz Papa

Comentando a parábola do Bom Samaritano, no Angelus deste domingo, 14, Francisco exortou os fiéis a viverem o amor ao próximo

O Papa Francisco dedicou a alocução que antecedeu a oração do Angelus deste domingo, 14, à parábola do Bom Samaritano, proposta pela liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum.

Para o Santo Padre, esta parábola se tornou paradigmática da vida cristã: “Tornou-se o modelo de como um cristão deve agir”, convidando os fiéis a lerem o “tesouro” contido no Evangelho de Lucas.

Quem é o próximo?

Neste episódio, Jesus é interrogado por um doutor da lei sobre o que é necessário para herdar a vida eterna. Jesus o convida a encontrar a resposta nas Escrituras: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo”. Havia, porém, diferentes interpretações sobre quem seria o “próximo”. Então, Jesus responde com a parábola do Bom Samaritano.

O protagonista da parábola é um samaritano, grupo na época desprezado pelos judeus. O Pontífice notou que, portanto, não é casual a escolha de um deles como personagem positivo da parábola. Ao longo de uma estrada, o samaritano encontra um homem roubado e agredido por assaltantes. Antes dele, por aquela estrada, haviam passado um sacerdote e um levita, isto é, pessoas que se dedicavam ao culto de Deus. Mas não pararam. O único que lhe presta socorro é justamente o samaritano, “justamente quem não tinha fé”, ressaltou o Papa.

Ele esclareceu o sentido da parábola nos dias atuais, dizendo: “Também nós pensamos em tantas pessoas que conhecemos, talvez agnósticas, que fazem o bem. Jesus escolhe como modelo alguém que não era homem de fé. E, este homem, amando o irmão como a si mesmo, demonstra que ama a Deus com todo o coração e com todas as forças – o Deus que não conhecia! – e expressa ao mesmo tempo a verdadeira religiosidade e plena humanidade”.

Lógica invertida

Depois de contar a parábola, Jesus se dirige novamente ao doutor da lei e lhe diz: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”. Deste modo, explicou Francisco, Jesus inverte a pergunta do seu interlocutor e também a lógica de todos.

“Ele nos faz entender que não somos nós, com base nos nossos critérios, que definimos quem é o próximo e quem não é, mas é a pessoa em situação de necessidade que deve poder reconhecer quem é o seu próximo, isto é, quem usou de misericórdia para com ele”, disse o Papa, acrescentando:

“Ser capazes de sentir compaixão: esta é a chave. Esta é a nossa chave. Se diante de uma pessoa necessitada você não sente compaixão, o seu coração não se comove, significa que algo não funciona. Fique atento, estejamos atentos. Não nos deixemos levar pela insensibilidade egoística. A capacidade de compaixão se tornou a medida do cristão, ou melhor, do ensinamento de Jesus”.

Na conclusão de sua reflexão, o Santo Padre citou o exemplo dos moradores de rua e de como muitos se comportam diante de alguém caído no chão. “Pergunte-se se o seu coração não endureceu, se não se tornou gelo. (...) A misericórdia diante de uma vida humana na situação de necessidade é a verdadeira face do amor”.

“Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e, sobretudo, a viver sempre mais o elo indissolúvel que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos e nos dê a graça de ter e crescer na compaixão”, finalizou Francisco.


Fonte: Amex, com Vatican News