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29 de Novembro, 2018

Papa na Audiência Geral: Decálogo é a "radiografia" de Cristo

Francisco, ao concluir sua série sobre os Dez Mandamentos, relatou que somente em Cristo o Decálogo torna-se a autêntica verdade da vida humana

Audiência Geral de 23 de junho, usando o tema-chave dos “desejos”, que permite repassar o caminho feito e reassumir as etapas percorridas lendo o texto do Decálogo “à luz da plena revelação em Cristo”. Devido ao frio, o tradicional encontro das quartas-feiras foi realizado na Sala Paulo VI.

Francisco, ao falar aos sete mil fiéis presentes, recordou que as pessoas partem da gratidão como base da relação de confiança e de obediência. O Papa frisou que Deus não pede nada antes de ter dado muito. “Ele nos convida à obediência para nos resgatar das idolatrias que tanto poder têm sobre nós, pois nos esvaziam e nos escravizam, enquanto que, aquilo que nos dá estatura e consistência é a relação com Ele, que em Cristo nos torna filhos a partir de sua paternidade”, relatou.

Chamado à beleza da fidelidade, generosidade e autenticidade

O Santo Padre observou que isto implica um processo de bênção e de libertação, que é o repouso autêntico. “Esta vida libertada torna-se a aceitação da nossa história pessoal e nos reconcilia com aquilo que vivemos da infância ao presente, fazendo-nos adultos e capazes de dar a justa medida às realidades e às pessoas de nossa vida. Por este caminho entramos na relação com o próximo que, a partir do amor que Deus mostra em Jesus Cristo, é um chamado à beleza da fidelidade, da generosidade e da autenticidade”, destacou.

Coração novo

Durante o discurso, o Pontífice disse que para isto todos têm a necessidade de “um coração novo”, que se realiza pelo “dom de desejos novos”, que são “semeados em todos pela graça de Deus”. Ele explicou que isso acontece em particular pelos Dez Mandamentos levados ao seu termo por Jesus, como ensinou no Sermão da Montanha. “Na contemplação da vida descrita no Decálogo – uma existência agradecida, livre, autêntica, que abençoa, custódia e amante da vida, fiel, generosa e sincera - nós, quase sem perceber, nos encontramos diante de Cristo”, enfatizou.

Decálogo, “radiografia” de Cristo

O Santo Padre destacou que o Decálogo é a radiografia de Cristo, o descrevendo como um negativo fotográfico que deixa aparecer a sua face – como no Santo Sudário. Ele acrescentou que desta forma, o Espírito Santo fecunda o coração das pessoas, colocando nele os desejos que são um dom seu, os desejos do Espírito. “Os desejos do Espírito, desejar segundo o Espírito. Desejar no ritmo do Espírito, desejar com a música do Espírito. E o Espírito gera uma vida que, seguindo esses desejos, suscita em nós a esperança, a fé e o amor”, esclareceu.

Com o Espírito, a lei torna-se vida

O Pontífice disse que assim é possível descobrir o que significa que “o Senhor Jesus não veio para abolir a lei”, mas levá-la ao seu cumprimento, para fazê-la crescer. De acordo com Francisco, se a lei segundo a carne era uma série de prescrições e de proibições, segundo o Espírito, a lei torna-se vida, porque não é mais uma norma, mas a própria carne de Cristo, que ama, procura, perdoa, consola a todos e no seu Corpo recompõe a comunhão com o Pai, perdida pela desobediência do pecado. "E assim (...), a negatividade na expressão do Mandamento: "não roubar, não insultar, não matar", aquele "não", transforma-se em uma atitude positiva: amar, dar lugar aos outros no meu coração, desejos que semeiam positividade. E esta é a plenitude da lei que Jesus veio nos trazer", informou.

O Papa explicou que somente em Cristo o Decálogo deixa de ser condenação, tornando-se “a autêntica verdade da vida humana”, isto é, esclareceu, “o desejo de amor”. Ele informou ainda que nasce um desejo de bem, de fazer o bem, desejo de alegria, de paz, de magnanimidade, benevolência, bondade, fidelidade, brandura, domínio de si. “Daquele ‘não’ passa-se a este ‘sim’. Atitude positiva de um coração que se abre com a força do Espírito Santo", frisou.

Santos desejos

Em sequência, Francisco afirmou que quando o homem segue o desejo de viver segundo Cristo, está abrindo a porta à salvação (...). Ele afirmou que Deus Pai é generoso, tem sede que todos tenham sede dele. O Pontífice informou também que, em contraposição aos maus desejos que arruínam o homem, “o Espírito coloca em nosso coração os seus santos desejos, que são o germe da vida nova”.

O Papa ressaltou que a vida nova não é um titânico esforço para as pessoas serem coerentes com uma norma, mas o próprio Espírito de Deus que começa a guiar as pessoas até os seus frutos, em uma feliz sinergia entre a alegria de serem amados e a sua alegria de amar a todos. “Encontram-se as duas alegrias. Contemplar Cristo para abrir-nos a receber o seu coração, os seus desejos, o seu Santo Espírito, eis o que é o Decálogo para nós cristãos”, concluiu o Santo Padre.


Fonte: Amex, com Vatican News