Notícia

27 de Setembro, 2018

Papa envia mensagem ao fórum inter-religioso do G20 na Argentina

Na conclusão da mensagem, Francisco convidou todos a "colaborar juntos como instrumentos de Deus para proteger e cuidar da Criação"

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes da quinta edição do Fórum Inter-religioso do G20, que acontece em Buenos Aires, Argentina, de 26 a 28 de setembro, com o tema “Construindo Consenso para o Desenvolvimento Justo e Sustentável: Contribuições Religiosas para um Futuro Digno”.

Na mensagem, o Santo Padre afirmou que conferências inter-religiosas, no âmbito das reuniões da Cúpula do G20, desejam oferecer à comunidade internacional a contribuição de suas diferentes tradições e experiências religiosas e filosóficas para iluminar as questões sociais que hoje nos preocupam de modo especial.

Papel das religiões

“Estes dias de intercâmbio e reflexão pretendem aprofundar o papel das religiões e sua contribuição específica na construção de um consenso, para um desenvolvimento justo e sustentável que garanta um futuro decente para todos”, disse.

Pensando nas religiões, Francisco disse acreditar que, “além das diferenças e pontos de vistas distintos, a primeira contribuição fundamental ao mundo de hoje é ser capaz de mostrar a fecundidade do diálogo construtivo para encontrar, juntos, as melhores soluções para os problemas que afetam a todos nós”.

Sair ao encontro do outro

Segundo ele, o diálogo não significa renunciar à própria identidade, mas estar dispostos a sair ao encontro do outro, a compreender suas razões, a ser capazes de tecer relações humanas respeitosas, com a convicção clara e firme de que ouvir aquele que pensa de maneira diferente é, acima de tudo, uma ocasião de enriquecimento recíproco e crescimento na fraternidade.

“É necessário construir uma fraternidade que não seja de laboratório, porque o futuro está na convivência respeitosa das diferenças, não na homologação de um pensamento único teoricamente neutro”, apontou.

No texto, o Papa ressaltou ainda que, diante de um mundo em que se afirma e se consolida um paradigma de desenvolvimento tecnocrático, com sua lógica de dominação e controle da realidade em favor de interesses econômicos e benefícios, as religiões têm um grande papel a desempenhar, graças a esse novo olhar sobre o ser humano, que vem da fé em Deus, criador do homem e do universo.

Dignidade do ser humano

Para o Pontífice, toda intenção de buscar um autêntico desenvolvimento econômico, social e tecnológico, deve levar em conta a dignidade do ser humano; a importância de olhar para cada pessoa nos olhos e não como um número a mais de uma estatística fria.

“Somos movidos pela convicção de que «o homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida socioeconômica». Portanto, ofereçamos uma nova maneira de ver os homens e a realidade, não mais com um desejo manipulador e dominante, mas com respeito por sua própria natureza e sua vocação na Criação, «porque sendo criados pelo mesmo Pai, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde»”.

Novo diálogo

Na conclusão da mensagem, o Papa convidou todos a um novo diálogo:

“Queridos amigos, desejo renovar (...) meu chamado para proteger a nossa casa comum mediante a preocupação por toda a família humana. Um convite urgente a um novo diálogo sobre como estamos construindo nossa sociedade na busca de um desenvolvimento sustentável e convencidos de que as coisas podem mudar. Lembrando, mais uma vez, que somos todos necessários neste trabalho e que podemos colaborar juntos como instrumentos de Deus para proteger e cuidar da Criação, contribuindo cada um com a sua cultura e sua experiência, seus talentos e sua fé”.


Fonte: Amex, com Vatican News