Notícia

23 de Novembro, 2015

Missa em Santa Marta - O único tesouro

Papa celebrou missa na manhã desta segunda-feira (23), na capela da Casa de Santa Marta

O único tesouro da Igreja é Cristo, a ponto que ela corre o risco de se tornar "tíbia, medíocre e mundana" se, ao contrário, depositar a sua segurança em "outras realidades". Assim, convidando a repetir "Vem Senhor Jesus!", o Papa celebrou a missa na manhã de segunda-feira, 23 de Novembro, na capela da Casa de Santa Marta.

"Ambas as cartas da liturgia de hoje", comentou imediatamente Francisco, referindo-se aos trechos do livro do profeta Daniel (1, 1-6.8-20) e do Evangelho de Lucas (21, 1-4) "falam-nos de pessoas necessitadas, especialmente na tradição de Israel: o estrangeiro e a viúva". E "o terceiro necessitado é o órfão".

"Os estrangeiros – explicou em relação à primeira leitura – eram os jovens trazidos da Babilônia: estavam distantes da sua terra e tinham decidido permanecer na fidelidade das suas tradições, à lei do Senhor". Mas "o personagem que mais chama a atenção, neste Evangelho, é a viúva". Na Bíblia, afirmou o Papa, "as viúvas muitas vezes, quer no Antigo quer no Novo Testamento". A viúva, prosseguiu Francisco, "é a mulher sozinha, sem marido que a proteja; a mulher que se deve arranjar como pode, que vive da caridade pública".

Em particular, disse o Pontífice, "a viúva deste trecho do Evangelho, que Jesus nos faz ver, era uma viúva que tinha esperança só no Senhor". E "quando Jesus viu aqueles que lançavam as ofertas no templo, viu-a que lançava só duas moedas, e disse: “Esta viúva, tão pobre, ofereceu mais do que todos. De fato, todos ofereceram parte do seu supérfulo. Ela, ao contrário, na sua miséria, ofereceu tudo o que tinha para viver”.

"Gosto de ver nas viúvas do Evangelho – afirmou o Papa – a imagem da “viuvez” da Igreja que espera a vinda de Jesus". Com efeito, "a Igreja é esposa de Jesus, e o seu Senhor é o seu único tesouro". E "a Igreja, quando é fiel, deixa tudo na expectativa do seu Senhor. Ao contrário, quando a Igreja não é fiel, ou não é muito fiel ou não tem muita fé no amor do seu Senhor, procura arranjar-se também com outras coisas, com outras seguranças, mais do mundo do que de Deus".

"As viúvas do Evangelho – continuou o Pontífice – transmitem-nos uma bonita mensagem de Jesus sobre a Igreja". Assim, "aquela mulher que saía de Naim com o féretro do filho: chorava, sozinha". Sim, "pessoas muito gentis acompanhavam-na, mas o seu coração estava sozinho!". É "a Igreja viúva que chora quando os seus filhos morrem para a vida de Jesus".

Depois, outra mulher "que, para defender os seus filhos, vai ter com o juiz iníquo: torna a sua vida impossível, batendo à sua porta todos os dias, dizendo, “faça justiça!”. E "no final aquele juiz faz justiça". "É a Igreja viúva que reza, intercede pelos seus filhos".

Mas "o coração da Igreja está sempre com o seu Esposo, com Jesus. Está nas alturas. Também a nossa alma, segundo os padres do deserto, se assemelha muito com a Igreja", esclareceu o Papa. E "quando a nossa alma, a nossa vida, estiver mais próxima de Jesus, afasta-se de muitas situações mundanas, que não servem, que não ajudam e nos distanciam de Jesus". Assim "é a nossa Igreja que procura o seu Esposo, espera o seu Esposo, espera aquele encontro, que chora pelos seus filhos, luta pelos seus filhos, dá tudo o que tem porque se interessa só do seu Esposo".

"Nestes últimos dias do ano litúrgico – frisou Francisco – far-nos-á bem questionar-nos se a nossa alma é como esta Igreja que deseja Jesus, se ela se dirige ao seu Esposo e diz: “Vem Senhor Jesus! Vem”". Ou se "deixamos de lado todas aquelas situações que não servem, não ajudam a fidelidade, como os jovens da primeira leitura deixaram de lado todas aquelas refeições, que não ajudavam a sua fidelidade".

"A “viuvez” da Igreja – explicou o Papa – refere-se ao fato de que a Igreja está à espera de Jesus, esta é uma realidade: pode ser uma Igreja fiel a esta expectativa, esperando com confiança a volta do Esposo ou uma Igreja infiel a esta “viuvez”, procurando segurança noutras realidades... a Igreja tíbia, medíocre, mundana". E Francisco sugeriu, concluindo, "pensemos também nas nossas almas. Elas procuram segurança só no Senhor ou buscam outras seguranças que não agradam ao Senhor?". Assim, «nestes dias, far-nos-á bem repetir o último versículo da Bíblia: “Vem Senhor Jesus!”".


Fonte: News.va